O crime assustou o Brasil. Mas, não surpreendeu.
Marcelo de 13 anos é suspeito de ter matado sua mãe, seu pai, a avó, a tia e se
matado em seguida. Segundo os policiais que apuram as mortes, a arma usada foi
uma pistola 40 da mãe de Marcelo.
Enquanto ainda lia esta notícia, recebi um e-mail de
um amigo que comentava o seguinte título: “Facebook pode tornar adolescentes
mais vulneráveis à depressão”. Na mesma hora pensei: aqui pode haver alguma
ligação.
Casos de assassinatos bárbaros como esse, normalmente
são cometidos por personalidades psicopatas. Se, de fato o jovem cometeu esta
tragédia, possivelmente ele está dentro desse diagnóstico.
O que se sabe, dentro do que foi estudado até agora, é
de que crianças, jovens ou adultos com o problema da depressão normalmente
tendem a ser muito mais auto agressivos (suicidas) do que assassinos. No
entanto, os novos estudos requerem a nossa atenção.
A seguir trago na integra a matéria recebida:
Um estudo apresentado
na 119.ª convenção anual da Associação Americana de Psicologia, em Washington
DC (EUA), e divulgado em sete de agosto de 2013 pelo site Science Daily afirma
que o uso de redes sociais pode levar adolescentes a manifestar
"tendências narcisistas" e torná-los mais vulneráveis a ansiedade,
depressão e outros problemas psicológicos.
Na apresentação,
intitulada "Poke Me: How Social Networks Can Both Help and Harm Our Kids"
(Cutuque-me: Como as redes sociais podem ao mesmo tempo ajudar e prejudicar
nossas crianças), o PhD e professor de psicologia Larry D. Rosen, da
Universidade Estadual da Califórnia, expôs que "particularmente entre
jovens, estamos apenas começando a ver pesquisas sólidas que demonstram tanto o
lado positivo quanto o negativo" de redes sociais como o Facebook. Em seu
estudo, Rosen aponta que adolescentes que usam Facebook tendem a apresentar com
mais frequência tendências narcisistas, enquanto jovens com forte presença no
Facebook mostram mais sinais de outros problemas psicológicos, como
comportamento antissocial, manias e tendências agressivas. O abuso
diário das mídias sociais e das tecnologias tem efeito negativo na saúde de
todas as crianças, pré-adolescentes e adolescentes, que se tornam mais
propensos à ansiedade, depressão e outros problemas psicológicos, além de
deixá-los mais suscetíveis a problemas de saúde no futuro. O psicólogo advertiu
também sobre os efeitos do Facebook em estudantes: a rede social pode distrair
e causar impacto negativo nos estudos. Rosen citou pesquisas que mostraram que
alunos de colégio e de faculdade que visitaram o Facebook pelo menos uma vez
durante um período de 15 minutos de estudo tiraram notas menores.
Benefícios:
Entre os impactos
positivos das redes sociais, Rosen destacou que os relacionamentos virtuais
podem ajudar adolescentes introvertidos a aprender como se socializar. Além
disso, as redes sociais podem fornecer ferramentas de ensino mais atraentes,
capazes de promover o engajamento de jovens estudantes.
Aos pais, o professor
recomendou que acompanhem as atividades dos filhos nos sites de redes sociais e
discutam a remoção de conteúdo ou conexões impróprias. Os pais também precisam
ficar atentos às tendências online e às últimas tecnologias, sites e aplicações
que as crianças utilizam.
Junto a isso, tenho
investigado o papel dos jogos na psique dos jovens e de que forma eles afetam o
comportamento, ideias e valores. Um dado é fundamentalmente alarmante: 90% dos
jogos mais “curtidos” por eles estão ligados ao “matar ou morrer” (violência) enquanto
que os outros 10% vinculados à competição.
O leitor tem alguma dúvida de que isto favorece a violência?
O
crime assustou o Brasil, mas, não surpreendeu.
Ela
é clara, no entanto, bastante trabalhosa: deveremos voltar a confiar na
humanidade e na própria vida.
O que há de mais moderno a
nível psicológico e pedagógico terá que realizar este trabalho: de arquitetar
ferramentas educacionais, fazendo uso de todos os meios de comunicação, para
que favoreçam a “reconstrução” da ideia de que somos essencialmente confiáveis
e solidários. Saibam os leitores de que a agressividade é apenas uma reação à
crença de que estamos permanentemente ameaçados.
A vida será vitoriosa. Mesmo
que ainda tenhamos que passar por experiências tão duras, estamos a
caminho.
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