Tenho a sensação de que nos encontramos num impasse. Se por um lado, sabemos da necessidade premente de pensar no próximo, no equilíbrio do planeta e no que estamos deixando para as futuras gerações, por outro, algo nos puxa para que nos isolemos uns dos outros.
O resultado é mais ou menos assim: se está faltando para mim, como terei algo para oferecer ao seguinte? Isto caracteriza o individualismo deste tempo. Fechamos os braços para manter o calor em nosso peito, escurecemos os nossos olhos ao que está em nossa volta e seguimos em frente.
Sozinhos.
No entanto, há algo ainda mais grave. Uma parte do dilema está no desejo de não constituir família, não ter filhos e não dividir o espaço com alguém. A outra parte, a mais importante, é que todos os solitários se desapaixonaram por si mesmos. Parecem estar seguros, são intelectuais, são independentes financeiramente, ocupam lugares de destaque na sociedade, são bem vistos no núcleo familiar, no entanto, por dentro, estão carentes.
Na verdade não querem estar sozinhos. Desejam, em silêncio, a oportunidade de experienciar um amor mais seguro, mas, no fundo não acreditam que ainda existam pessoas confiáveis. Sonham com lugares e situações que lhe deem liberdade e leveza, pois não sabem mais como resgatar essas sensações do seu próprio interior.
Insisto: uma parte da humanidade se desapaixonou da sua própria humanidade.
Por isso, essa história de compaixão ao próximo, de solidariedade, de tempo para ajudar aos que precisam não está “pegando”. Estamos cada vez mais individualizados.
Pois bem, então, qual a solução? Teremos tempo e habilidade para encontrarmos uma saída?
Trago algumas sugestões.
Primeiramente, olharmos para as nossas sobrecargas. Temos sido mais exigidos em nosso dia a dia: somos convidados a correr mais, produzir mais, ganhar mais, criar mais, competir mais, temer mais e desejar mais. De fato temos dado muito mais do que recebido. Ou seja, esta sensação de carência é real!
Portanto, se estamos super exigidos, precisamos “aprender a pedir”. Esta é a chave para o resgate da compaixão e, aprender a pedir significa: “eu não sei dar conta de tudo que acontece comigo; eu preciso de você”.
Todos nós sabemos que não é bom ficar sozinho. Não faz bem para alma. Nunca fez.
Somos uma espécie que necessita de experiências, de se lançar ao risco do amor, de partilhar as riquezas internas e externas. Que é importante estar a sós de vez em quando, isto também temos o conhecimento, no entanto, precisamos essencialmente dos encontros.
Parece estranho o que eu escreverei agora: pedir é uma atitude que nos tira de uma relação infantil com a vida. Adultos imaturos não sabem pedir. Adultos maduros sabem como fazê-lo.
Neste período de transição, onde migramos para a tal Era de Aquários, anunciada há milênios, chegaremos a um momento de consciência humana muito mais solidária, pois, estaremos funcionando pela percepção coletiva e sistêmica. Isto nos fará seres de mais compaixão. No entanto, ainda estamos no meio do caminho. Há muito a andar.
Por agora, aprender a pedir já é um grande salto para voltarmos a nos olhar com paixão.
Eu trago este texto como um convite para você.
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