Durante as minhas
últimas férias recebi uma visita. Foi ao mesmo tempo agradável e estranha.
Visitar alguém ou ser visitado está quase em extinção. Não há tempo para isso,
nem paciência.
Vi que enquanto conversávamos
de alguns momentos felizes, cada vez que lembrávamos de algo, aquilo ganhava
vida dentro de nós. Tudo fica tão vivo independente se aquilo aconteceu ano
passado, há cinco anos ou na infância. Descobri o que acontece quando nos
encontramos com os nossos amigos e amigas: perpetuamo-nos um no outro através
daquilo que caminhamos juntos.
A conversa entre amigos é
diferente, não há tantas cobranças, há puro espaço para que cada um faça como
quiser. E, também pude notar que na amizade se olha para frente. Quando você se
vê, mais velho, você quer aqueles bons amigos ao seu lado. Por vezes até chega
a pensar: será que eu estarei mais envelhecido que eles? Teremos filhos, netos?
Quem partirá antes?
Há os que não pensam assim, são os que
ainda não perceberam que amizade é coisa séria. Colocam o tempo para rever os
amigos quase na última escala de prioridade. Primeiro o namorado ou a esposa,
ou ainda os filhos e claro, os projetos de trabalho. Se sobrar um tempinho
(para mandar um torpedo, pois, ligar gasta muito tempo), os amigos.
Há também os que desejam, mas, não
se abrem para a amizade. Para esses um convite: abram a guarda, pesquisem
antigos telefones, sorriam mais. Tenho certeza de que muitos voltarão a
frequentar suas casas e outros, chegarão pela primeira vez. Vale a pena tentar.
Você pode pegar o seu telefone e
ligar agora para um deles. Você pode deixar que as suas memórias o invadam
neste instante. Lembrará que, nas horas mais especiais, por mais simples que
elas tenham sido, aquela pessoa estava ao seu lado, rindo, chorando....
sonhando. Estou saindo agora, tão logo posto este texto. Vou ver meu amigo.
Até breve.
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